O que NÃO significa ser dona de casa 1 - Trabalho doméstico não é obrigação exclusiva da mulher.


O QUE NÃO SIGNIFICA SER DONA DE CASA - PARTE 1.
SER DONA DE CASA NÃO SIGNIFICA DE TODO TRABALHO DOMÉSTICO É OBRIGAÇÃO EXCLUSIVA DA MULHER.

Eu sou uma defensora ferrenha da domesticidade, defensora dos valores do cuidado do lar e da família como aspectos fundamentais da tarefa de espalhar a glória de Deus. Mas a verdade é que sempre que se fala em ser ‘dona de casa’, uma enxurrada de ideias e preconceitos inundam a cabeça de todas as mulheres.

As Escrituras falam sobre o dever que as mulheres têm de serem boas donas de casa:

Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada. Tito 2:4,5

Sem dúvida alguma ser dona de casa nos séculos passados não significa o mesmo de ser dona de casa nos dias de hoje. O lar antes da Revolução Industrial tinha um 'caráter' diferente do lar dos nossos dias. A casa era uma espécie de unidade econômica onde as mais variadas tarefas aconteciam em conjunto. A produção de bens de subsistência, a venda do excedente em comércios domésticos, a criação dos filhos – tudo era tarefa e dever de todos sob a liderança responsável do líder da família. O papel da mulher como ‘dona de casa’, sem dúvida alguma, ia muito além de lavar a louça e fazer as compras no supermercado, ela, atuando dentro de sua casa, era ativa social e economicamente (talvez agora faça mais sentido a leitura das mil e uma atividades da ‘mulher virtuosa’ descrita em Provérbios 31).

Da Revolução Industrial para cá realmente muita coisa mudou. Deixando de ser uma unidade produtiva, o lar se transformou em uma unidade de consumo. O trabalho deixou de ser uma atividade comum da família toda, todos em volta de um único objetivo trabalhando juntos (marido, esposa e filhos) e as tarefas precisaram ser divididas para que o sustento fosse garantido e a família não fosse abandonada. Criou-se a ideia de que só é ativo, produtivo e útil para a sociedade quem está lá fora, além de outros preconceitos.

O fato dessa mudança ter ocorrido não significa que o lar tenha perdido sua importância e que o papel de dona de casa tenha se tornado inútil, desprezível, desnecessário. A missão da domesticidade com os seus aspectos de educação dos filhos, testemunho aos vizinhos, hospitalidade, etc. continua relevante nos dias de hoje – há quem diga que mais relevante do que nunca. (Para ler mais sobre a importância desses valores veja outros textos aqui no blog)

Deus ainda espera que sejamos ‘boas donas de casa’ e para entender o valor e a importância da domesticidade é importante jogar fora muitos dos preconceitos acumulados durante a vida toda. Com esse objetivo em mente, segue uma série com alguns pontos principais sobre o que NÃO significa ser dona de casa.

1. Ser dona de casa não sigifica que todo o trabalho doméstico é obrigação exclusiva da mulher
2. Ser dona de casa não significa que a mulher deve ficar 24h dentro de casa.
3. Ser dona de casa não significa ser improdutiva e inútil pra sociedade
5. Ser dona de casa não significa ser desambicionada e intelectualmente limitada.
6. Ser dona de casa não significa licença para vida mansa

Vamos para o número 1?

Ser dona de casa não significa que todo trabalho doméstico é obrigação exclusiva da mulher

Entender o papel e as relações de homem e mulher de acordo com a criação nos mostra que Deus criou homem e mulher para atuarem em parceria complementar harmoniosa. Nesse sentido, quando se casam, marido e esposa assumem esse compromisso mútuo de companheirismo e complementaridade. Essa complementaridade é também regida por outros princípios importantes que talvez expliquem porque o trabalho doméstico geralmente cabe à mulher.

Mesmo que todas as tarefas familiares devam ser cumpridas de forma complementar, em parceria harmoniosa, a própria forma como Deus criou homem e mulher aponta para uma espécie de ‘divisão familiar do trabalho’.

Então o Senhor Deus declarou: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda". Gênesis 2:18

Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações. 1 Pedro 3:7

O fato da mulher ser a parte mais frágil é uma questão interessante. O texto refere-se a fragilidade física de forma geral e não é necessário entrar em questões biológicas, psicológicas mais profundas. Por mais que você negue essa fragilidade e argumente que fisicamente você é mais forte que seu marido (e isso pode até ser verdade mesmo!) o simples fato da mulher ter sido criada com o potencial maravilhoso da maternidade já a coloca em uma posição delicada e vulnerável, que requer proteção, que inspira cuidados especiais (reconheça!). Imagine as últimas semanas da gestação, o parto, o pós-parto, o período de lactação, a primeira infância... Não é à toa que as tarefas de responsabilidade pela provisão sejam naturalmente reservadas ao homem, que tem a obrigação de cuidar da sua esposa.

Sou uma militante da domesticidade. Não amo o lar pelo lar em si mesmo, mas pelo que ele significa para os filhos e para a família. A missão materna definitivamente não é a única missão da mulher, mas àquelas a quem Deus concedeu essa missão, devem encará-la em seu caráter prioritário.

Isso definitivamente NÃO significa que toda a responsabilidade pelo cuidado do lar e educação dos filhos é exclusiva da mãe enquanto ao pai cabe apenas a responsabilidade de trabalhar fora para prover para o lar. Essa é uma visão equivocada, fruto de uma compartimentalização, de uma fragmentação das esferas da nossa vida. O entendimento de complementaridade afasta completamente essa ideia. Homem e mulher estão juntos no empreendimento maravilhoso que é a família, mesmo que sobre o homem pese a responsabilidade final de sustentar e liderar o lar e que naturalmente as tarefas maternas (e também domésticas) recaiam sobre a mulher.

Se o homem pode lavar a louça? Se a mulher pode ajudar na renda familiar? Essas são perguntas superficiais que são respondidas quando se entende o plano de Deus. Não ajudar o outro (seja a mulher ao marido ou o marido à mulher) quando se tem a possibilidade e os princípios de parceria harmoniosa e de prioridades são observados é falta de amor.

Um marido que, deitado no sofá, observa sua esposa atarefada, sobrecarregada com os afazeres da casa e do cuidado com os filhos e crê que não precisa ajuda-la porque já faz a sua parte como provedor ao trabalhar a semana toda fora deve avaliar o seu coração. Um marido cheio de amor por sua esposa não se negará a ajudar sob o pretexto de que essa não é sua obrigação. Ajudar nas atividades domésticas não faz o homem menos homem. Meu marido é homem e já me ajudou muito com a parte que cabe a mim da nossa ‘divisão familiar do trabalho’ trocando fraldas, preparando a mamadeira, lavando a louça. Fazendo assim ele demonstra um coração amoroso, um coração de líder que também é servo.

Uma esposa desocupada que vê seu esposo angustiado e sobrecarregado com o papel de prover e honrar as responsabilidades financeiras do lar e não se compadece por achar que essa é obrigação exclusiva dele deve igualmente avaliar sua conduta. Mesmo que não seja possível ajudar objetivamente porque deve cumprir seu papel de cuidado com os filhos pequenos, a mulher demonstra amor e companheirismo quando se compadece, quando diminui seus gastos, quando procura formas criativas de ajudar mesmo dentro de casa. Se você ainda não tem filhos e tem dúvidas sobre como priorizar o marido e trabalhar fora leia aqui.

Ambos são co-herdeiros da mesma graça de vida, vivem uma vida em comum, são parceiros nesse empreendimento que é o lar. Isso significa que, sob a liderança do esposo, ambos estão juntos com o objetivo de glorificar a Deus através da sua família.

Mais do que dizer o que pode e o que não pode, cada cristão deve levar em conta que tudo deve ser feito para a glória de Deus, amando a Deus e ao próximo (tem alguém mais próximo que o cônjuge?), observando os princípios de complementaridade, respeitando os papéis de liderança e submissão estabelecidos por Deus, observando nossas prioridades e aproveitando as oportunidades.

Que o Senhor nos ajude a compreender o valor da missão maravilhosa da domesticidade.
Abraço carinhoso,
Renata Veras

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3 comentários

  1. Eu tinha uma visão meio que restrita da " divisão familiar do trabalho" mas esse texto me mostrou que não é bem assim. Como bem você colocou,em termos práticos,mesmo não sendo tarefa do homem, ele não irá assistir a esposa "aperriada" com os afazeres, sem dar ao menos uma ajuda,não é? Isso mostraria a falta de amor e de companheirismo. Texto maravilhoso, Deus te abençoe!

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    1. Oi Acsa!
      Fico feliz que o texto tenha ajudado a esclarecer um pouco mais as coisas. Esse é realmente um assunto delicado, cercado por muito mal entendido e mal costume mesmo, tanto da parte de homens quanto da parte de mulheres.
      Que o Senhor nos ajude a enxergar com mais clareza a beleza do propósito e dos planos que Ele tem para nós.
      Beijo grande,
      Renata.

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  2. Excelente! Coaduna-se com o que entendo a partir das Escrituras. Amar a esposa significa ampara-la e sustenta-la naquilo que lhe é difícil e cansativo. O trabalho doméstico faz isso conosco, mesmo fazendo com amor e alegria. Do mesmo modo, como foi frisado no texto, a esposa auxiliar o marido na realização de seus funções no sustento e provisão do lar, quando se fizer necessário.
    Texto excelente e esclarecedor!!

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