Confissões de uma 'mulher de pastor'



Por ocasião do ‘dia da mulher de pastor’, muitas são as mensagens que exaltam e engrandecem as qualidades daquelas que servem ao lado de seus maridos no ofício do episcopado.

Agradeço a generosidade das palavras. Sei que muitas das homenagens são para compensar as cobranças e as pressões do dia-a-dia. Mas preciso dizer que qualquer tipo de mensagem que retrate a mulher de pastor como uma mulher diferente, além de ser equivocada, colabora para uma visão que escraviza e massacra muitas que, nesse momento da vida, se encontram nessa posição.

O fato de ocupar uma posição de mulher de pastor não faz de mim um tipo diferente de mulher. Eu não sou uma mulher mais forte, eu não sou uma mulher inabalável, eu não sou uma mulher mais santa por causa disso. Não sou a personificação da disposição nem a materialização da generosidade e abnegação. E eu não sou porque eu sou como você.

Sou uma mulher como qualquer outra, sujeita às mesmas fraquezas e dores, passível da disciplina graciosa, necessitada da admoestação em amor. Sou como você. Apesar de salva, regenerada, justificada, continuo em um mundo caído e caminho no processo de santificação até o dia em que serei completamente transformada à semelhança de Cristo, que é meu alvo.

Talvez a única coisa que diferencia uma ‘mulher de pastor’ de outras mulheres seja o fato de que ela necessita desesperadamente da graça e da misericórdia de Deus. Isso porque, pela posição que ocupa, atrai o olhar do inimigo que sabe o estrago que fará se tiver sucesso em suas investidas. Porque a posição que ocupa certamente traz responsabilidades, desafios e lutas diferentes. Porque se encontra em uma posição em que os olhares e as cobranças são muitas vezes ferozes e impiedosos.

Nesse ‘dia da mulher de pastor’, eu troco a exaltação de pretensas qualidades pelo reconhecimento da minha realidade. Realidade de mulher como qualquer outra. Eu troco os elogios por um olhar empático, um conselho generoso e uma oração intercessória.

Um abraço de quem depende desesperadamente da graça e da misericórdia do Senhor na sua vida,
Renata Veras

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1 comentários

  1. Esclarecedora perspectiva sobre a "mulher de pastor". Muito interessante!

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