A Ideologia de Gênero e as Escrituras - O mínimo que você precisa saber.



A IDEOLOGIA DE GÊNERO

Entender a ideologia de gênero, bem como a própria questão de gênero, é entender um processo de desconstrução das questões mais básicas da existência humana e dos fundamentos das estruturas mais básicas da sociedade.

O próprio surgimento do conceito de gênero já estabelece uma diferenciação entre biologia e construção social. Gênero é a ideia de que os significados historicamente conhecidos e estabelecidos como masculinidade e feminilidade não passam de mera construção social que em nada tem relação com sexo biológico. Ideologia de gênero é a ideia subsequente de que não se deve impor um significado de masculinidade ou feminilidade à ninguém baseado em sua realidade fisiológica.

Sob o tópico 'gênero' encontram-se as questões sobre masculinidade e feminilidade, sobre como se dá as relações entre estes, quais são as bases para o estabelecimento dos gêneros e quais as implicações de cada gênero.

'Gênero' é um termo emprestado da linguística que foi introduzido nos estudos sociológicos e antropológicos de masculinidade e feminilidade por pesquisadores americanos para se referir às identidades subjetivas de homens e mulheres.

É importante destacar a distinção clara feita pelos teóricos do gênero estabelecida entre gênero e sexo.

Gênero – é tudo o que é determinado social, cultural e historicamente.
Sexo – é tudo o que é determinado biologicamente.

Podemos entender como os termos são utilizados entre os teóricos na discussão sobre o assunto (sexo, gênero, identidade de gênero e sexualidade) a partir da síntese de Grossi da definição de tais conceitos:

“sexo é uma categoria que ilustra a diferença biológica entre homens e mulheres; que gênero é um conceito que remete à construção cultural coletiva dos atributos de masculinidade e feminilidade (que nomeamos de papéis sexuais); que identidade de gênero é uma categoria pertinente para pensar o lugar do indivíduo no interior de uma cultura determinada e que sexualidade é um conceito contemporâneo para se referir ao campo das práticas e sentimentos ligados à atividade sexual dos indivíduos.”

Na abordagem da Ideologia de Gênero, portanto, o gênero tem origens exclusivamente sociais e se refere à identidade adotada por uma pessoa a partir dos aspectos biológicos, psicológicos OU sociais.

Como se desenvolveu essa noção de gênero?

Pesquisadores das áreas da antropologia e sociologia desenvolveram suas pesquisas a fim de mostrar que não existem explicações de ordem natural para justificar e legitimar os comportamentos sociais de homens e mulheres – tudo não passa de formulações ideológicas.

Margarete Mead
Na antropologia destaca-se Margaret Mead, antropóloga americana pioneira que após suas pesquisas em sociedades primitivas como Samoa e Papua-Nova Guiné estabeleceu que os temperamentos que reputamos naturais a cada sexo são meras variações do comportamento humano e que eles podem ser moldados pela educação.

Seu livro “Sexo e temperamento em três sociedades primitivas” de 1935 foi altamente influente e impulsionou o movimento de liberação feminina ao destacar a existência de comunidades onde as mulheres eram dominantes.

"Ela explicou que ninguém conhecia em que grau o temperamento está biologicamente determinado pelo sexo, de modo que esperava ver se havia fatores culturais ou sociais que afetassem o temperamento. Eram os homens inevitavelmente agressivos? Eram as mulheres inevitavelmente caseiras? Resultou que as três culturas com que conviveu na Nova Guiné eram um laboratório quase perfeito, pois encontravam-se cada uma das variáveis que associamos com masculino e feminino numa configuração diferente da nossa sociedade. Ela disse que esse fato a havia surpreendido e que não era o que ela esperava encontrar, mas aconteceu.”


Simone de Beauvoir

Em 1949, o livro da escritora e filósofa Simone de Beauvoir “O segundo sexo” questiona o determinismo biológico e o desígnio divino na questão da feminilidade. Beauvoir é considerada a mãe do feminismo francês e com sua conhecida frase “Não se nasce mulher, torna-se mulher” separa o aspecto biológico do aspecto social do sexo e descreve a feminilidade como aprendizagem social e cultural. Beauvoir zomba da existência de um ideal ou modelo de feminilidade.

“a feminilidade "corre perigo"; e exortam-nos: "Sejam mulheres, permaneçam mulheres, tornem-se mulheres". Todo ser humano do sexo feminino não é, portanto, necessariamente mulher; cumpre-lhe participar dessa realidade misteriosa e ameaçada que é a feminilidade. Será esta secretada pelos ovários? Ou estará congelada no fundo de um céu platônico? E bastará uma saia ruge-ruge para fazê-la descer à terra? Embora certas mulheres se esforcem por encarná-lo, o modelo nunca foi registrado. Descreveram-no de bom grado em termos vagos e mirabolantes que parecem tirados de empréstimo do vocabulário das videntes.” (p.7)

Apesar da ideia de gênero já estar sendo desenvolvida, o termo relacionado à masculinidade e feminilidade só aparece em 1955 através do trabalho do psicólogo americano John Money no qual ele define 'papel de gênero' como “tudo o que a pessoa faz para evidenciar a si mesma como garoto ou homem, como garota ou mulher. Isso inclui, mas não é restrito à sexualidade no sentido de erotismo”

Em 1968 Robert Stoller, psicólogo que estuda o caso de hemafroditas, estabelece a diferença conceitual entre sexo e gênero segundo a qual sexo refere-se aos aspectos anatômicos, morfológicos e fisiológicos (genitália, cromossomos sexuais, hormônios) e gênero refere-se ao padrão de comportamento.

Segundo ele todo indivíduo tem um núcleo de identidade de gênero que começa a ser construído socialmente mesmo antes de nascer e que se estabelece até os 3 anos de idade. Depois de estabelecido esse núcleo de sua identidade, é praticamente impossível mudá-la. E é nesse contexto que diz que é "mais fácil mudar o sexo biológico do que o gênero de uma pessoa".

Por volta de 1960 e 70 o termo 'gênero' começa a se desenvolver na teoria feminista, o que corresponde com a segunda onda do feminismo. Não é possível pensar em feminismo da segunda onda sem pensar na questão de gênero. O movimento feminista irá denunciar que as diferenças biológicas entre homens e mulheres são usadas para justificar e legitimar as desigualdades e levantar o conceito de gênero no qual a masculinidade e a feminilidade são construções sociais e culturais.

Por mais que reivindique que a feminilidade é construída socialmente, a abordagem feminista não nega a feminilidade e os aspectos naturais do sexo. Para Beauvoir, por exemplo, ainda existem as categorias identitárias, ou seja, a identidade feminina e as normatividades ou referentes do gênero feminino decorrentes do sexo – identidade feminina que deveria ser defendida e emancipada. Entretanto, o que se entende historicamente por feminino é uma construção social masculina e patriarcal e propõe um novo ideal de feminilidade construído pelas próprias mulheres.

Se você achava que o feminismo já era um mal irremediavelmente grande para a família, certamente não poderia imaginar quão pior as coisas poderiam ficar. Enquanto movimentos como o feminismo ainda sustentam a heteronormatividade ao defenderem e levantarem a bandeira de uma essência feminina (desde que o conceito de feminilidade 'culturalmente imposto pelo patriarcalismo' seja reconstruido pelas próprias mulheres), os movimentos atuais relacionados à questão de gênero vão além, propondo uma completa desconstrução dessa heteronormatividade, propondo o fim do conhecimento óbvio, natural e histórico de que a humanidade existe em dois gêneros distintos e sexualmente complementares e apregoando que não há essencialmente nem o feminino nem o masculino, mas cada indivíduo é essencialmente neutro – principalmente no que diz respeito às interações sexuais, negando qualquer espécie de norma sexual. É o que defendem os pensadores da teoria queer, que se dedicam às questões das práticas sexuais LGBT e querem naturalizá-las.

Judith Butler

Em 1990, a filósofa americana Judith Butler propõe uma completa fim do binário sexo/gênero e leva a questão do 'gênero' às últimas consequências em seu livro “Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade”. Segundo ela não existe uma identidade de gênero por trás das expressões de gênero. Não há uma essência natural do sujeito de cujo sexo decorre um determinado gênero. Cada corpo não corresponde a um gênero, mas o que há são corpos sexuados como base para uma variedade de gêneros que são construídos através da performance, da prática.

O pensamento de Butler traz fim ao 'peso metafísico' da identidade. Não há um gênero original. Não há referentes para a feminilidade ou masculinidade fora de si e, portanto, não existem normas verdadeiras e nem falsas. Não existe nem o feminino nem o masculino.

Butler critica o que ela chama de 'paradoxo feminista' da necessidade de fixar a mulher em uma categoria da qual elas mesmas pretendiam libertá-la. Sua proposta é o fim de qualquer categoria identitária, da ideia de um sujeito uno 'mulher'

A teoria Queer (teoria do estranho, do anormal) nasce no pós-estruturalismo e condena o estabelecimento de qualquer estrutura ou modelo, pois as estruturas sempre excluem aqueles que não se enquadram nela. Propõe o fim do normal, porque o normal sempre pressupõe um anormal (queer) e o exclui. Também nega a existência de qualquer tendência ou inclinação natural. Assim, apregoa o fim da heterosexualidade como normal ou natural defendendo que a heteronormatividade é uma invenção cultural e que a heterossexualidade tem sido historicamente imposta compulsoriamente sobre as crianças mesmo antes de nascer. Dessa forma, defende a neutralidade de gêneros (gênero neutro) e uma educação neutra que se expressa numa educação sexual com ênfase na pluralidade, na construção individual e na liberdade de interações sexuais. Por mais que a teoria pregue a liberdade e a pluralidade das expressões sexuais, acabam por atacar frontalmente a expressão heterossexual como forma de fortalecer a expressão homossexual (ditaduta homossexual).

Chegamos então ao cenário pós-moderno de completa desconstrução e destruição de ideias fixas de masculinidade e feminilidade. De qualquer essência ou ideal masculino ou feminino. Podemos dizer que, agora sim, a humanidade enfrenta a sua maior crise de identidade.

As consequências da descontrução do gênero vão além do fim da essencialidade da masculinidade e da feminilidade e da destruição da família tradicional. A desconstrução do gênero coincide com a desconstrução e negação de paradigmas, regras ou de qualquer ideia de normatividade e sua consequência inevitável é o desenvolvimento e defesa de uma moral aberta, caracterizada pela imposição da aceitação de qualquer tipo de conduta sem julgamentos e pela cauterização sistemática da mente com relação às noções de certo ou errado, moral ou imoral. Acima de tudo, é um ataque frontal a todos os absolutos e, como consequência principal, a desconstrução e negação de Deus.

Ao percorrer o caminho da (re/des)construção das certezas sexuais elementares, a humanidade caminha também para a maior crise moral e de identidade, onde as certezas mais básicas são destruídas e todo e qualquer paradigma, ideal ou modelo é negado e ridicularizado.


O QUE AS ESCRITURAS NOS FALAM SOBRE A QUESTÃO DO GÊNERO?


As questões sobre identidades de gênero, suas diferenças e funções estão no centro da luta social, moral e até mesmo religiosa da nossa realidade brasileira. Estudar as raízes e os fundamentos da questão da feminilidade nunca foi tão necessário. Os conceitos de gênero e de identidade sexual tem sofrido um processo de desconstrução e de remodelamento que os esvaziam completamente de significado.

As vozes pós-modernas negam qualquer absoluto, qualquer ideal e, por conseguinte, negam a natureza permanente ou intencional dos gêneros. Tal visão destrói os absolutos e as morais fundamentais

A sexualidade é vista como plástica, moldável. Há uma neutralidade sexual que poderá se manifestar de qualquer forma sem necessariamente seguir normas pré-estabelecidas ou alguma moral. Isso vai contra o plano original do Criador.

“Qualquer perspectiva moral que nega que exista alguma diferença real ou significativa entre homem e mulher resulta em uma ética que despreza a vontade e a obra do Criador.”

Os pressupostos são que não existem diferenças inatas entre os sexos e, naturalmente, que não existem papéis específicos para cada gênero. A era da identidade de gênero e a cultura da sexualidade moldável implicam em sexualidade ou gênero sem propósito. Seguindo esses pressupostos, as diferenças entre homens e mulheres não são necessárias. Não há espaço para distinções significantes e profundas na identidade sexual humana.

A luta pela igualdade acaba por ignorar ou recusar o caráter complementar das diferenças entre homens e mulheres. Não se trata apenas de uma reivindicação de igualdade de dignidade, de valor – igualdade ontológica – mas se trata de uma luta por uma igualdade total, que destrói as diferenças obviamente visíveis.

“melhorar as relações sexuais humanas em nome da "igualdade" (...) na verdade acaba por desumanizar a sexualidade humana, reduzindo a identidade sexual a uma mesmice monolítica sem distinção, incapaz de sustentar qualquer relação significativa”

A agenda da ideologia de gênero caminha para o que eles chamam de 'neutralidade de gênero'. As normas tradicionais para os papéis do homem e da mulher não mais devem existir. Com o fim das normas de gênero, não são apenas os papéis sociais que mudam, mas, principalmente, a ordem estabelecida por Deus para o mundo é redefinida.

Mesmo dentro do cristianismo os papéis distintos estabelecidos por Deus para o homem e para a mulher não são considerados válidos e muitos se sentem insatisfeitos e lutam contra estes papéis e contra a forma como tais papéis se aplicam à sua vida.

EVIDÊNCIAS BÍBLICAS DA ESSÊNCIA DA IDENTIDADE MASCULINA E FEMININA

O pensamento antigo é acusado de fatalismo biológico ao considerar os aspectos biológicos determinantes das diferenças comportamentais. Segundo essa visão, os fatores naturais são responsáveis pelas diferenças e desigualdades entre homem e mulher negando qualquer importância dos processos de interação social.

A veia teísta deste fatalismo biológico pode ser notada nas concepções de alguns pais apostólicos da Antiguidade e Idade Média que estabelecem a desigualdade entre homem e mulher (leia-se a inferioridade ontológica da mulher) como divinamente predeterminada na criação.

Os construcionistas sociais dirão que as diferenças comportamentais são decorrentes da socialização. As desigualdades entre homens e mulheres estão relacionadas às desigualdades nas relações de poder na sociedade. Os papéis de gênero são construções inteiramente sociais e historicamente as mulheres estiveram em posição desprivilegiada por causa da dominação masculina e patriarcal.

Já a sociologia pós-moderna dirá que nem ao menos existem as dicotomias clássicas homem x mulher, indivíduo x sociedade, natureza x cultura.

E o que as Escrituras dizem sobre o gênero e, especificamente, sobre a feminilidade? E como as Escrituras explicam as diferenças entre homem e mulher e as desigualdades historicamente conhecidas?

Enquanto a nossa cultura (re)define a sexualidade e as identidades de gêneros como algo maleável e os próprios cristãos questionam a clareza do propósito divino, é necessário reafirmar que as Escrituras ensinam que a identidade sexual é algo profundamente intrínseco, fixo, proposital, necessário, bom e eterno.

A Bíblia é clara em mostrar que cada corpo sexual corresponde uma identidade de gênero própria, definida, imutável e eterna. Os serem humanos não são corpos neutros à mercê das interações que porventura virão. Tudo isso pode ser visto no relato da criação.

1. A humanidade não é humanidade por causa da socialização. E a mulher não é mulher por que aprendeu a ser mulher.

A humanidade foi criada propositadamente por Deus de forma separada dos animais. Foram feitos segundo à imagem e semelhança de Deus e são os únicos que são criados assim.

Groninguen diz que “Deus planejou a criação do homem e da mulher. Ele deliberou intimamente no seu ser misterioso e declarou sua intenção. A humanidade não é o produto de combinações fortuitas de fatores, nem o resultado da sobrevivência e formação dos entes mais fortes e capazes competindo por domínio”

2. Só existem dois gêneros - masculino e feminino – que são determinados pelo Criador. Nem existe o gênero neutro e nem o terceiro ou quarto gêneros.

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27

2. Masculinidade e feminilidade são estabelecidas no momento da criação, não são desenvolvidas socialmente. Papéis e hierarquias não são escolhidos ou desenvolvidos socialmente. São determinados e comunicados por Deus no momento da criação.

Deus criou Adão já maduro, com um corpo masculino e uma identidade masculina definida. Não apenas isso, mas com funções e hierarquia bem definida. Uma identidade completa – biológica, ontológica, psicológica, funcional e hierárquica. O mesmo no que diz respeito à mulher. Não há espaço para escolha, seja de identidade sexual, função ou posição hierárquica

3. Gênero não se distingue de sexo. Homem e mulher foram criados como uma unidade de corpo e espírito de forma que esta unidade corresponde a unicamente uma identidade de gênero .

Deus criou espíritos encarnados. Deus não criou primeiro o espírito e depois o corpo ou vice-versa. Homem e mulher foram criados em um ato divino único. O corpo é essencial para os seres humanos e cada corpo inclui uma identidade sexual logo, a identidade sexual é essencial para a existência humana.

4. Homem e Mulher são criados iguais no que diz respeito a ambos serem feitos à imagem de Deus, serem iguais em dignidade e valor e terem o mesmo propósito maior de se relacionar com Ele e glorificá-lo.

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27

5. Homem e Mulher são criados diferentes no que diz respeito à questões físicas, funções específicas e hierarquia. Homem e mulher não são a mesma coisa. São diferentes, frutos de dois atos criativos diferentes e distintos.

A diferença entre homem e mulher é carregada em cada célula, em cada cromossomo propositalmente projetado pelo Criador.

Buch diz que “Deus não criou o homem e a mulher para serem exatamente iguais física e emocionalmente. Existem muitas diferenças que Deus criou entre o homem e a mulher que fazem deles únicos e diferentes um do outro.”

No que se constitui essas diferenças é algo difícil de determinar com exatidão. Não há dúvidas com relação às diferenças biológicas, funcionais e hierárquicas – estas estão explicitamente claras nas Escrituras. Com relação a diferenças subjetivas e outras (força, tamanho do cérebro, aspectos psicológicos, hormonais, sociais, emocionais, intuitivos) muitos empreenderam pesquisas a fim de as estabelecerem.

6. As diferenças entre homem e mulher são boas e necessárias.

Homem e mulher foram criados de forma complementar, e não como iguais. (Mais sobre isso no texto sobre concepções cristãs da relação entre os gêneros) – tudo foi previamente definido por Deus segundo sua vontade perfeita, soberana e graciosa. E tudo o que Deus faz é bom e tem um propósito e um fim proveitoso.

“Gênesis 2:18 – Deus revelou que a sexualidade humana não é apenas boa em si mesma – ela também é para algo bom. Através dela se realiza algo bom que não existiria fora de um relacionamento que consiste em unir a variedade de diferenças correspondentes envolvidas na identidade sexual humana”

“Quando Deus fez Adão e Eva macho e fêmea, Ele tinha em vista a realização de algo muito bom que não poderia ser realizado de outra maneira – nem mesmo no relacionamento entre os seres humanos e o próprio Deus. Ao criar seres humanos macho e fêmea em dois atos separados, Deus focou a atenção em algo bem que só podia ser realizado por que os seres humanos são diferenciados sexualmente.”


7. As desigualdades históricas entre homem e mulher não são fruto de suas diferenças.

O fato de Deus ter criado homem e mulher antes do pecado mostra que as identidades sexuais nada tem a ver com a queda e nem com as desigualdades entre eles.
Homem e mulher foram criados perfeitos e viviam de forma harmoniosa em seus papéis e posições diferenciadas. As desigualdades e todos os comportamentos desajustados (machismo, feminismo, sexismo) são consequência do pecado.

8. As diferenças entre homem e mulher são eternas.

A identidade de gênero – a identidade do homem como homem e da mulher como mulher – é algo profundo, importante e eterno. Não relativo, plástico, moldável ou construído culturalmente.

“se Deus diz que o aspecto da identidade de gênero dos seres humanos sexuais é eterno então ela não pode ser culturalmente relativa ou plástica. Em vez disso, ele deve ser algo muito real que claramente deve permanecer fixado além da vida na terra”

Na ressurreição há a promessa de que iremos experimentar a continuidade da nossa identidade pessoal e, portanto, nossa identidade sexual. A promessa divina da ressurreição corporal presume a natureza essencial da identidade sexual humana.

A resposta de Cristo aos saduceus deixa claro que homens não deixarão se ser homens na eternidade. Muito menos as mulheres deixarão de ser mulheres, como era tão comumente e erroneamente pensado na pelos primeiros cristãos.

Não há dúvidas para a maioria de nós quanto à questão de se continuaremos com nossas identidades sexuais após a ressurreição, entretanto essa era uma questão comum nos tempos passados, talvez pela visão extremamente negativa que tinham do corpo e da sexualidade em dicotomia com o espírito e a santificação (principalmente no que se refere à mulher). Não há dúvidas que nossas identidades sexuais são algo tão intrinsecamente ligadas à nós e completamente imutáveis e determinantes de quem nós somos que as levaremos mesmo depois de nossa morte.

Agostinho fala sobre isso quando diz que “existem alguns que pensam que na ressurreição todos os homens e mulheres irão perder o seu sexo… De minha parte, eu penso que aqueles que acreditam que irá haver dois sexos na ressurreição são mais sensíveis.”

Continuaremos como mulheres, com nossa identidade feminina após a ressureição. Se as funções sexuais relativas à nossa identidade sexual não mais existirão (sexo, filhos, casamento) ainda assim funções relacionadas à nossa identidade certamente terão um propósito dentro do plano de Deus, para o qual nada é sem razão ou sem proveito.

“Desde de que Deus nunca age sem propósito e por que nós sabemos que o casamento irá cessar, nós só podemos conjecturar que a duração das diferenças sexuais depois da ressurreição indica que Deus deve ter algum propósito muito profundo para a masculinidade e para a feminilidade. E deve ser também que esse propósito eterno transcende as funções presentes que necessitam da proteção do casamento.”


Num movimento contrário à desestruturação e destruição, faz-se necessário reafirmar a existência, os fundamentos, e a essência da feminilidade e da masculinidade. É necessário traçar uma ontologia feminina e masculina no sentido da natureza essencial do ser mulher e homem de acordo com a revelação divina da Sua criação.

A Bíblia descreve a gênese feminina e masculina e através dela nos permite voltar às causas primeiras do ser homem e do ser mulher, ao entendimento das características fundamentais bondosamente pensadas e projetadas por Deus.

E viva a diferença!
Um abraço carinhoso,
Renata Veras


Fontes:
BEAUVOIR, Simone. O Segundo sexo. São Paulo: Difusão Européia do livro, São Paulo.

CONE, Christopher in http://www.drcone.com/2015/07/10/a-recommended-biblical-statement-on-gender-sexuality-and-marriage/ acesso em 07/07/2015 – 10:28am

GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação VOL 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

GRUDEN. W. Biblical foundations for manhood and womanhood (p. 289). Wheaton, IL: Crossway Books.

HEIMBACH, D. R. (2002). The Unchangeable Difference: Eternally Fixed Sexual Identity for an Age of Plastic Sexuality. In W. Grudem (Ed.), Biblical foundations for manhood and womanhood (p. 289). Wheaton, IL: Crossway Books.

IDENTIDADE DE GÊNERO e SEXUALIDADE Miriam Pillar Grossi

MACARTHUR, J. (1996). Different by design (p. 137). Wheaton, IL: Victor Books.

Performance, gênero, linguagem e alteridade: J. Butler leitora de J. Derrida
(Butler, 1998a:23)




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4 comentários

  1. Texto incrível! Muito explicativo. É incrível saber mais dos planos de Deus para nós. Em saber que em cada detalhe, tem um dedo dEle! Parabéns a quem escreveu. Deus abençoe. Assunto que precisa ser falado.

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  2. Parabéns pelo texto!
    Fiquemos alerta ao futuro de nossos filhos, igreja e sociedade.

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  3. Muito bom o texto, bem estruturado e informativo. Agradeço pela contribuição!

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  4. Lindo texto!!! Parabéns, obrigada.

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