Ser FEMININA não é ser... Qual o significado da feminilidade?


Ser feminina não é ser…
qual o significado da feminilidade?

Ninguém discute que homens e mulheres são diferentes (aliás, alguns loucos querem questionar o óbvio). Deus criou homem e mulher, cada um, de forma singular e com um belo propósito em mente. Piper diz que “masculinidade e feminilidade são a bela obra artística de um Deus bom e amável. Ele delineou nossas diferenças, e elas são profundas. Não são meros pré-requisitos fisiológicos para a união sexual. Elas vão à raiz da nossa personalidade”.

Mas em quê se constitue essa diferença? Existe algo específico e básico na feminilidade que se diferencia da masculinidade e que Deus projetou e quer que expressemos? Existem características, traços de personalidade e temperamentos próprios da feminilidade e que são inatas e particulares das mulheres? Temperamento, habilidades, instintos, qualidades, modo de ser, de viver e de pensar próprio da mulher?

Deus projetou homem e mulher igualmente à sua imagem e semelhança, igualmente dignos e valiosos diante de Deus, com as mesmas capacidades morais, intelectuais, espirituais e relacionais. Ao mesmo tempo em que os projetou iguais, também os projetou diferentes de forma que se complementassem. As diferenças biológicas, por exemplo, são incontestáveis e certamente tais diferenças (hormonais, cerebrais, fisiológicas) imprimem nuances e matizes sobre como homem e mulher expressam cada um dos aspectos que lhe são comuns.

Ao tentarmos definir de que forma a feminilidade se diferencia da masculinidade é preciso ter cautela para não resumir tais diferenças em termos de capacidades ou características pessoais. Isso foi muito comum através dos séculos e levou a terríveis equívocos. As mulheres eram consideradas naturalmente irracionais, vulneráveis, carnais. Jacques Sprenger, inquisidor do século XV dizia que “a mulher é mais carnal que o homem; vemos isto por suas múltiplas torpezas… Existe um defeito na formação da primeira mulher, pois ela foi feita de uma costela curva, torta, colocada em oposição ao homem. Ela é, assim, um ser vivo imperfeito, sempre eganador.” e ainda “Se hoje queimamos as bruxas, é por causa de seu sexo feminino”. Fílon de Alexandria, filósofo judeo-helenista que viveu durante o período do helenismo, dizia que “o sexo feminino é irracional e inclinado à paixões animais, medos, tristezas, prazer e desejo, de onde provêm fraquezas incuráveis e doenças indescritíveis”. Ele também cria que “por causa da suavidade (a mulher) facilmente se afasta e é levada por mentiras plausíveis que se assemelham à verdade”.

O fato é que existem mulheres fortes e homem fisicamente fracos. Existem mulheres rudes e homens sensíveis e carinhosos. Existem mulheres espertas e homens ingênuos. Existem mulheres 'desligadas' e homens 'intuitivos'. Existem mulheres ativas e homens passivos. Muitas destas características não dizem respeito exclusivo e um determinado gênero, mas são características comuns à humanidade e se expressam de uma forma ou de outra nos indivíduos de acordo com sua condição espiritual, pessoal, cultural (o que não significa que elas deixem de ser pecado ou não). Definir feminilidade em algum desses termos pode levar à cair no erro fatalista de que certas característcas (algumas inclusive pecaminosas) são inerentes à um sexo e, por isso, justificáveis.

Algumas mulheres podem se apoiar numa suposta característica 'naturalmente' feminina para pecar – achar que, por sua natureza, está liberada para falar demais, ser ansiosa, ser emocionalmente instável, ser intelectualmente dispensada, ser preguiçosa ou passiva. Da mesmo forma, homens podem se apoiar em características 'naturalmente' masculinas como a agressividade e a promiscuidade para pecar. Em lugar de tais características serem naturalmente masculinas ou femininas, tais características são naturalmente pecaminosas.

Larry Crabb diz acertadamente que “nunca devemos definir a feminilidade de maneira superficial afirmando que “não é feminina” a mulher que se mostrar competente e for altamente respeitada como médica, executiva ou teóloga. Ademais, não podemos vincular a feminilidade a cozinhar, vestir-se sensualmente ou ter uma atitude doce e prestativa. Ser mulher (assim como ser homem) tem mais a ver com a atitude da mulher em relação a si mesma e aos outros, no que diz respeito aos seus relacionamentos”.

O fato é que homem e mulher foram criados igualmente racionais, responsáveis por seus atos, capazes de compreender, capazes de liderar, igualmente inteligentes, igualmente morais. E ambos devem conduzir cada um desses aspectos, mesmo sob influências biológicas ou espirituais, em santidade e de forma a cumprir o seu papel distintivo para glória de Deus.

Mesmo no cumprimento de seu papel distintivo como ajudadora em submissão, é necessário ter cuidado para não confundir a submissão com passividade, preguiça, falta de iniciativa ou qualquer atitude pecaminosa do gênero. Grudem fala sobre isso quando diz que “submissão à autoridade não significa ser totalmente passivo e concordar com tudo o que a autoridade diz ou sugere – certamente não é assim que nos mostramos submissos à autoridade do patrão ou dos representantes do governo (podemos sem dúvida divergir do governo, permanecendo submissos a ele), ou ainda à autoridade dos líderes da igreja (podemos ser submissos a eles, ainda que discordemos de algumas de suas decisões). A mulher certamente pode submeter-se à autoridade do marido e ainda assim participar plenamente das decisões da família”.

Piper diz:“Observe: Precisamos nos acautelar a respeito das diferentes forças de homens e mulheres. Quando alguém pergunta se achamos que as mulheres são, digamos, mais fracas, ou mais inteligentes, ou mais facilmente amendrontadas do que os homens, ou algo assim, uma boa resposta seria mais ou menos esta: as mulheres são mais fracas do que os homens em alguns aspectos, e os homens são mais fracos do que as mulheres em alguns aspectos; as mulheres são mais inteligentes do que os homens em alguns aspectos, e os homens são mais inteligentes do que as mulheres em alguns aspectos… Deus pretende que todas as “raquezas” que são caracteristicamente masculinas evoquem e destaquem as forças de uma mulher. E Deus pretende que todas as “fraquezas” que são caracteristicamente femininas evoquem e destaquem as forças de um homem… Masculinidade e feminilidade devem se complementar, em vez de se duplicarem… a maneira como Deus fez é boa… Ninguém é de menor valor do que outro. Homens e mulheres são de valor e dignidade iguais aos olhos de Deus – ambos criados à imagem de Deus e extremamente singulares no universo.”

As diferenças podem ser mais seguramente definidas em termos de relacionamento do que em uma lista de características peculiares. As diferenças entre homens e mulheres se encontram em aspectos que os capacitam a atuar com mais eficiência em uma esfera de responsabilidade do que em outra. É tudo o que Deus deu à mulher para realizar seus papéis específicos de auxiliadora, esposa e mãe.

Algumas definições de feminilidade são:

“Feminilidade como ter consciência da essência que Deus colocou na mulher, que a capacita a convidar outros, com toda confiança e amor, para terem comunhão com Deus e com ela mesma, ciente de que em todo relacionamento encontrará um motivo de satisfação.” Larry Crabb

“A verdadeira feminilidade é um chamado distinto para demonstrar a glória do Seu Filho de maneira que não seriam demonstradas se não houvesse feminilidade.” Piper em Sentido último da verdadeira feminilidade

“No cerne da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homem dignos, através de formas apropriadas aos diferentes relacionamentos de uma mulher” Piper em Homem e Mulher

Costumamos pensar na feminilidade sempre em contraste com a masculinidade. Precisamos pensar nas diferenças entre homens e mulheres mais em termos de complementariedade do que de deficiência/eficiência ou de competição. As palavras chaves são cooperação e interdependência.

Num movimento contrário à desestruturação e destruição, faz-se necessário reafirmar a existência, os fundamentos, e a essência da feminilidade. É necessário traçar uma ontologia feminina no sentido da natureza essencial do ser mulher de acordo com a revelação divina da Sua criação. A Bíblia descreve a gênese feminina e através dela nos permite voltar às causas primeiras do ser mulher, ao entendimento de suas características fundamentais bondosamente pensadas e projetadas por Deus.

E viva ser mulher!
Renata Veras

Publicado originalmente em 26/08/15, 20h

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