ROMANCE E IDOLATRIA - Os perigos da paixonite.



ROMANCE E IDOLATRIA - Os perigos da paixonite.
Para as mais novas e para as mais experientes também.

Ela só quer, só pensa em namorar! Ela só quer, só pensa em namorar! Bem dizia Luiz Gonzaga. Quando o mandacaru começa a ‘fulorar’... é sinal que vem paixonite por aí. Arriscaria dizer que 99,9% nas mulheres já sofreram pelo menos uma vez na vida de paixonite e que mais da metade delas ainda sofrem.

Todas as mulheres são românticas por natureza - tirando aquelas poucas que são mais práticas e que existem para comprovar a regra. E a paixonite nada mais é que o excesso, a exacerbação dos sentimentos e emoções relacionadas ao romance.

A paixonite tem características peculiares e seus sintomas podem ser percebidos por:
- Pensamento fixo em romance, namoro, amor, paixão.
- Sonhos constantes (dormindo ou acordada) com o relacionamento ideal ou com o ‘homem da sua vida’
- Fantasias sobre o que significa um relacionamento ideal ou o par perfeito.
- Desejo descontrolado de viver um grande amor.
- Uma boa dose de sofrimento, descontentamento, autocomiseração com os relacionamentos que tem.
- Uma atração forte por músicas, filmes e livros melosos e melodramáticos.
- Suspiros, olhares perdidos, cabeça no mundo da lua.

Existem pelo menos dois tipos de paixonite: a paixonite aguda e a paixonite crônica.

Paixonite Aguda
A paixonite surge muito frequentemente pela primeira vez na adolescência e vem em sua forma mais forte, intensa e com o maior número de sintomas e efeitos colaterais – é o que eu chamo de paixonite aguda. O fato é que, infelizmente, as meninas experimentam a sua primeira crise cada vez mais cedo.

Não fosse a paixonite aguda (própria da juventude), esperaríamos mais – não nos precipitaríamos e nem tomaríamos tanta decisão errada. Nos desiludiríamos menos – passaríamos por menos experiências desnecessárias e, consequentemente, menos decepções. Teríamos menos corações quebrados – fruto de relacionamentos precipitados. Teríamos menos marcas – que teremos que levar pra vida toda.

Paixonite Crônica
Muitas de nós não conseguem se curar da paixonite aguda da juventude e acabam por levá-la pra vida toda. Não, paixonite não é coisa de adolescente e nem apenas de quem ainda não se casou. Muitas mulheres ainda sofrem da paixonite em sua forma latente, a chamada paixonite crônica.

Não fosse a paixonite crônica (aquela que vai além da juventude), seríamos menos infelizes – comparando o nosso relacionamento real com o relacionamento ‘ideal’ dos nossos sonhos. Aproveitaríamos mais – com nossas histórias reais e nossos maridos reais. Brigaríamos menos – exigiríamos menos. Teríamos menos relacionamentos quebrados - menos traições, adultérios, infidelidades.

Os estragos da Paixonite

O amor é lindo, o romance é bom. Mas a paixonite consegue deixar tudo tão intenso e desproporcional que o que deveria ser leve, gostoso e saudável acaba se tornando doloroso e deixando marcas permanentes.

O pensamento fixo em romances e paixões nos causam problemas sem fim. Apressa as coisas, queima etapas. Nos faz entrar e sair de relacionamentos desnecessariamente. Desgasta nossa mente e fere o nosso coração. Drena as forças, a criatividade e o potencial que poderiam ser investidos em outras áreas. Tira a capacidade e a alegria de viver o hoje, que se torna obscurecido pelas sombras de um futuro ideal que nunca chega.

A paixonite rouba de nós a serenidade e a clareza de ideias. Nos rouba o bom senso e a perspectiva do plano maior. A vida não é só romance, e não viemos ao mundo para viver um conto de fadas.

Além disso tudo, a paixonite também pode indicar que algo está errado no altar do nosso coração.

Romance e Idolatria

De maneira geral, o romance, assim como qualquer outra coisa nessa vida, pode se tornar um ídolo do coração. Um ídolo é qualquer coisa que colocamos acima e no lugar de Deus.

Quando concebemos o romance, ou a ideia de viver um grande amor, ou o desejo de encontrar o ‘par perfeito’ como supremo alvo de nossas vidas, como condição para nossa alegria, como o alvo de nossa existência e realização muito provavelmente ele já se transformou em ídolo.

Uma boa maneira de avaliar se algo se tornou um ídolo no seu coração é determinar objetivamente o quanto você estaria disposta a fazer para consegui-lo. Muitas mulheres estão dispostas a qualquer coisa para ‘viver o amor’ ou ‘encontrar sua metade’, até mesmo pecar, quebrar seus compromissos ou deixar Deus de lado.

Para as jovens solteiras isso pode significar se jogar naquele relacionamento com um cara descrente por medo de ficar sozinha. Pode significar ir contra as opiniões e conselhos dos pais. Pode significar se entregar fisicamente e não guardar a sua pureza.

E não se engane. A paixonite não é prerrogativa das jovens solteiras. Nós casadas não estamos imunes aos riscos da paixonite em sua versão crônica. Mesmo casadas, a ideia fixa em romance pode no fazer pecar. O desejo constante por “romance dos sonhos” pode nos fazer cair no pecado do descontentamento com o relacionamento que temos e no pecado da amargura – que são portas para outros problemas conjugais bem sérios. Isso pode significar trair o seu marido e entrar de cabeça em um relacionamento extraconjugal que lhe ‘prometa’ o coração acelerado e as borboletas no estômago que há tempos não se sentem no seu casamento.

Romance é bom? Bom demais! Palavra de uma romântica incorrigível.
Mas o desejo de viver um ‘romance na vida real’ não nos dá o direito de chutar o balde, passar por cima de tudo e de todos, de nossos princípios, valores, compromissos, de nossa palavra, de nosso Deus - palavra de quem sempre sofreu de paixonite e foi agraciada por Deus com o homem menos romântico da face da Terra.

Não é fácil estar solteira e esperar pacientemente o amor chegar, assim como não é fácil desejar um pouco mais de romance no relacionamento conjugal e não o ter. Encaro minha experiência como o ato gracioso de Deus de ensinar-me a não desejar nada mais intensamente do que a Ele mesmo, de ensinar-me a buscar ser completa, feliz e satisfeita nEle e não naquilo que sempre imaginei ser o alvo maior de minha realização – o romance.

E sabe de uma coisa? Quanto mais a gente concentra nossa força e desejo no romance e coloca nisso nosso grande sonho, razão de viver, mais Deus tem o prazer de torná-lo mais e mais difícil, mais e mais distante. Não por puro sadismo ou por requintes de crueldade, mas porque Ele não divide a glória dEle com ninguém. Porque nos ama e deseja que amadureçamos e passemos do estágio “paixões adolescentes” para o estágio “contentamento e plena satisfação em Deus”. E sabe o que mais? Dá-nos o que tanto queremos não é sinônimo de nos dar o melhor. Dá o que queremos não é garantia de felicidade e realização. Achar que um grande amor é tudo o que precisamos na vida é uma grande ilusão. Nada tem o poder de realizar-nos, a não ser Deus.

Conselhos práticos para curar (ou aliviar) a paixonite

Às vezes leva a vida toda para conseguir se desintoxicar de toda a paixonite internalizada desde cedo, talvez nunca consigamos completamente, mas uma boa forma de amenizar os efeitos da paixonite é deixar de alimentá-la. Eu, por exemplo, preciso de uma semana para me desintoxicar de um filme romântico e do sentimento que ele causa no meu coração. Sei que não acontece só comigo, pode ser o seu caso também.

A Bíblia nos dá uma ‘técnica’ fantástica para mudanças de hábitos e ela nos será muito útil aqui. É a ‘técnica’ do despojar e revestir. “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” Efésios 4:22-24.

Comece se despojando daquilo que alimenta seus delírios, devaneios e pensamentos fixos em romance, romance, romance. Você, melhor do que ninguém, sabe o que mais lhe faz mergulhar nesse mundo. Que tal evitar os romances melosos, as músicas ‘de fossa’, os livros dramáticos.

O próximo passo é se revestir do que alimenta bem sua mente e seu coração. “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” - Filipenses 4:8. Troque o pensamento obsessivo em você mesma e em sua realização pessoal por tempo investido em coisas que ajudem o próximo, que edifiquem, que sejam do interesse do Reino de Deus.

Cristo nos chama do conto de fadas para a vida real. Uma vida com propósito maior e bem definido – fazer a vontade de Deus, cumprir o seu chamado. Viver como peregrino e forasteiro. Na vida que Deus preparou para nós há espaço pra tudo – inclusive relacionamentos marcantes, boas histórias, grandes amores, fortes emoções, mas tudo isso Ele nos dá enquanto buscamos a Sua glória e o Seu Reino em primeiro lugar.

Tenho certeza que quando focalizamos em fazer o que é do interesse de Deus, mesmo que isso signifique abrir mão de nossos sonhos românticos ou deixá-los em segundo plano, Ele terá o maior prazer de nos dar todas as outras coisas conforme a Sua vontade e para o nosso bem. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33

E você já sofreu de paixonite? Qual o tipo da sua paixonite atual? Como faz para lidar com ela?

Um abraço de quem foi infectada pela paixonite bem cedo e tenta, a cada dia, deixar ela de lado e ser plenamente satisfeita em Deus.
Renata Veras

Publicado originalmente em 21/05/2015, 22:03

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6 comentários

  1. Muito bom,Renata!Tenho grande admiração por sua pessoa.Também possuo esse pensamento; e, por vezes, falo: devemos buscar o "estar completa" em Deus, pois é um erro enorme tentarmos nos preencher de coisas que, assim como nós, são vazias. Devemos nos alegrar em Deus; devemos buscar satisfação nEle, para que Ele seja glorificado em nós, como diz John Piper.

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    1. Keilla, é isso mesmo! Buscar satisfação em Deus é algo que devemos trazer à memória a cada momento!
      Fico feliz demais que você esteja por aqui acompanhando o blog. Pra mim é uma honra enorme ter mulheres como você com quem posso compartilhar um pouquinho do que Deus tem falado ao meu coração.
      Comentários como os seus alegram o coração e encorajam o ministério! Fica por aqui, a casa é sua!
      Beijo grande, Renata Veras

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  2. Ótimo texto, é uma realidade vivida por muitas de nós (senão todas), mulheres cristãs. Obrigada por essas palavras, sinto-me edificada com seus textos. E que nosso Primeiro Amor dirija todos os outros amores em nossa vida. Abraço! Deus a abençoe grandemente!

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    1. É verdade, Ana! Fomos muito influenciadas pela cultura do romance de conto de fadas. Fico feliz que tenha gostado do texto.
      Deus nos abençoe!!

      Abraço carinhoso,
      Renata Veras

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  3. Simplesmente demais o texto e me ajudou muito em um momento de crise.

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    1. Que maravilha! Graças a Deus!
      Deus te abençoe!
      Abraço carinhoso e continue por aqui.
      Renata.

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